O Zungu Camerino é mais do que um evento cultural. Ele é um reencontro com a história, com a ancestralidade e com a força da cultura negra que moldou o Rio de Janeiro. Realizado no Centro da cidade, o evento reúne música, capoeira, gastronomia e manifestações artísticas que resgatam tradições antigas e fortalecem identidades. Além disso, o Zungu Camerino se tornou um espaço de celebração e de resistência, conectando passado e presente por meio de experiências coletivas.
Para quem busca compreender a importância da cultura afro-brasileira na formação do Rio, o Zungu Camerino é uma oportunidade única. Com atividades gratuitas e abertas ao público, o evento transforma a Rua Camerino em um território de memória viva, onde histórias, sabores e ritmos se encontram.
A origem do Zungu Camerino e sua importância cultural
O Zungu Camerino nasce da vontade de resgatar tradições que marcaram profundamente a vida da população negra no Rio de Janeiro. Inspirado nos antigos zungus, casas de convivência, culinária e resistência. O evento traz à tona práticas culturais que atravessaram séculos. Esses espaços eram conhecidos por servir pratos como o angu, além de promover encontros, trocas e manifestações artísticas.
Ao longo do século XIX, os zungus se tornaram pontos de referência para a comunidade negra, especialmente em regiões centrais da cidade. Ali, pessoas se reuniam para compartilhar comida, fortalecer vínculos e manter vivas tradições africanas que resistiam ao processo de apagamento cultural. O Zungu Camerino, portanto, não é apenas uma festa: é uma homenagem a essa história.
Hoje, o evento cumpre o papel de reconectar o público com essa memória. Ele reforça a importância da cultura negra na formação do Rio e destaca a relevância de preservar práticas ancestrais. Assim, o Zungu Camerino se consolida como um espaço de valorização, aprendizado e celebração.
Zungu Camerino e a memória dos antigos zungus
A memória dos zungus é um dos pilares centrais do Zungu Camerino. Esses locais, também chamados de casas de angu, eram fundamentais para a sociabilidade da população negra. Além de oferecer comida, eles funcionavam como ambientes de acolhimento, troca cultural e resistência em uma cidade marcada pela diáspora africana.
No evento, essa memória é resgatada principalmente por meio da distribuição gratuita de angu. O prato, simples e simbólico, representa a força da culinária africana e sua influência na gastronomia carioca. Ao oferecer angu ao público, o Zungu Camerino recria uma prática histórica e reforça a importância de manter vivas tradições que atravessaram gerações.
Além disso, o evento destaca a relevância desses espaços como centros de convivência. Os zungus eram locais onde música, dança, espiritualidade e culinária se misturavam, criando ambientes de resistência cultural. O Zungu Camerino, ao trazer essa memória para o presente, reafirma o papel da cultura negra na construção da identidade carioca.
A escolha da Rua Camerino e sua ligação com a cultura negra
A Rua Camerino, no Centro do Rio, não foi escolhida por acaso. O local possui forte ligação histórica com a presença afrodescendente na cidade. Ao longo dos séculos, a região foi palco de manifestações culturais, encontros comunitários e práticas que ajudaram a moldar a identidade carioca.
Ao realizar o Zungu Camerino nesse território, os organizadores reforçam a importância de reconhecer e valorizar espaços que carregam memória. A rua se transforma em um cenário vivo, onde passado e presente se encontram por meio da música, da gastronomia e das expressões artísticas. Essa escolha também fortalece o vínculo entre o evento e a história dos zungus, que surgiram em áreas centrais da cidade.
Além disso, a Rua Camerino abriga a sede da Associação Cultural Recreativa Filhos de Gandhi Rio, instituição que desempenha papel fundamental na preservação da cultura negra. O evento, portanto, se integra a um território que já é reconhecido por sua importância histórica e cultural.
Música, capoeira e manifestações artísticas no Zungu Camerino
A programação do Zungu Camerino é marcada por apresentações que celebram a diversidade da cultura negra. A música é um dos destaques, com a presença da Charanga dos Filhos de Gandhi e do grupo Malê Aiyeo, que trazem ritmos tradicionais e contemporâneos para o público. As rodas de samba também ocupam espaço central, conectando gerações por meio de melodias que fazem parte da identidade carioca.
A capoeira, símbolo de resistência e ancestralidade, é outro elemento fundamental do evento. As rodas atraem participantes de diferentes idades e reforçam a importância dessa prática na história da população negra. Além disso, a capoeira representa movimento, luta e espiritualidade, elementos que dialogam diretamente com a proposta do Zungu Camerino.
As manifestações artísticas presentes no evento ampliam ainda mais sua riqueza cultural. Danças, performances e expressões visuais transformam o espaço em um grande palco de celebração. Assim, o Zungu Camerino se consolida como um evento completo, que valoriza diferentes formas de expressão e fortalece a identidade afro-brasileira.
Zungu Camerino como espaço de resistência e ancestralidade
Mais do que um evento cultural, o Zungu Camerino é um ato de resistência. Ele reafirma a importância da cultura negra em um país marcado por desigualdades e apagamentos históricos. Ao celebrar tradições ancestrais, o evento fortalece identidades e promove a valorização de práticas que foram fundamentais para a formação do Rio de Janeiro.
A ancestralidade é outro elemento central. Cada música, cada prato de angu, cada roda de capoeira carrega histórias que atravessam gerações. O Zungu Camerino cria um ambiente onde essas memórias são compartilhadas e vivenciadas coletivamente, fortalecendo vínculos e promovendo reconhecimento.
Além disso, o evento contribui para ampliar o acesso à cultura. Por ser gratuito, ele democratiza experiências e aproxima o público de práticas que muitas vezes são invisibilizadas. Assim, o Zungu Camerino se torna um espaço de inclusão, celebração e transformação.
SERVIÇO
Zungu Camerino
Data: 04/07/2026
Local: Associação Cultural Recreativa Filhos de Gandhi Rio
Endereço: Rua Camerino, nº 7
Centro – Rio de Janeiro – RJ
Horário: 10 horas
Andre Borges, historiador e pesquisador sobre o Rio de Janeiro. Eu sempre gostei da história do Rio de Janeiro, queria contribuir para a cidade, mas não sabia como, queria uma maneira lúdica de contar a história desta cidade e informar, aí veio a ideia do Blog Giro 0800.





