A exposição gratuita em Ipanema “Quando aparecer um rio, atravesse-o”, da artista visual carioca Fernanda Leme, será inaugurada em 5 de novembro de 2026, no Centro Cultural Candido Mendes, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A mostra reúne cerca de 70 obras, incluindo trabalhos inéditos, e convida o público a refletir sobre a passagem do tempo, a identidade e a transformação das imagens.
Com curadoria de Denise Araripe, a exposição será realizada na Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida e ficará aberta à visitação até 28 de novembro. Entre os destaques estão pinturas fragmentadas, retratos, composições abstratas e obras que permitem a participação dos visitantes.
A proposta reúne questões pessoais e coletivas para discutir como as imagens são produzidas, modificadas e rapidamente substituídas na sociedade contemporânea.
Exposição gratuita em Ipanema aborda a passagem do tempo
Em “Quando aparecer um rio, atravesse-o”, Fernanda Leme investiga a finitude e a efemeridade por meio da pintura e de intervenções realizadas sobre imagens preexistentes.
A artista recorta, fragmenta e reorganiza suas próprias pinturas, transformando composições figurativas em trabalhos abstratos. O processo cria novas relações entre cores, formas e elementos que permanecem reconhecíveis, mesmo depois da desconstrução das imagens originais.
Segundo a curadora Denise Araripe, esses procedimentos vão além de uma experiência visual. Eles também representam maneiras de elaborar vivências e construir novos significados.
O título da exposição acompanha essa reflexão. O rio simboliza um obstáculo que surge no caminho, mas que precisa ser atravessado para que a jornada continue. A travessia representa a possibilidade de aceitar mudanças e seguir adiante diante das incertezas da vida.
Obras inéditas transformam pinturas em novas composições
Um dos destaques da exposição é uma pesquisa inédita iniciada por Fernanda Leme em 2026, especialmente para a mostra.
Nessa série, a artista corta pinturas em tiras horizontais de diferentes espessuras e as reorganiza sobre suportes de madeira. O resultado são composições que preservam vestígios das imagens originais, mas ganham uma nova configuração visual.
A pesquisa dialoga com o conceito de pós-produção, relacionado à apropriação e à reconfiguração de materiais já existentes, além de estudos sobre o informe na arte, que questionam as concepções tradicionais de forma.
Apesar da abstração, alguns elementos figurativos continuam presentes. Entre eles estão os barcos, associados às ideias de deslocamento, passagem e travessia.
A artista também relaciona essa linguagem à velocidade do mundo contemporâneo, no qual as imagens circulam continuamente e nem sempre chegam a se consolidar na percepção de quem as observa.
Série “Estilhaços” desconstrói retratos
A exposição também apresenta trabalhos da série “Estilhaços”, iniciada em 2025. Nessas obras, Fernanda Leme sobrepõe tramas gráficas e estruturas geométricas a retratos, criando a impressão de imagens atravessadas por uma superfície fragmentada.
Diferentemente das composições mais recentes, nas quais a figura pode se tornar quase abstrata, os retratos de “Estilhaços” ainda mantêm elementos reconhecíveis.
A intervenção, porém, coloca em questão a unidade da imagem. Os rostos continuam presentes, mas são modificados pelas linhas e pelos padrões que os atravessam.
O conjunto estabelece uma ligação entre a representação da identidade e a instabilidade das imagens na contemporaneidade.
Série “Cabeças” convida o público a participar
Outro destaque é a série “Cabeças”, desenvolvida desde 2014. O conjunto reúne 60 obras de 30 por 40 centímetros, nas quais a artista retrata o próprio rosto em diferentes fases da vida.
A pesquisa funciona como um trabalho em andamento, que pode continuar recebendo novas imagens ao longo do tempo.
Para a exposição em Ipanema, Fernanda Leme propõe uma mudança: quatro espelhos ocuparão o lugar de novos retratos.
Com isso, os visitantes poderão enxergar seus próprios rostos refletidos no espaço expositivo. A experiência estabelece uma relação com as selfies e com a velocidade com que as imagens pessoais são produzidas, compartilhadas e descartadas.
A participação do público amplia a reflexão sobre identidade e efemeridade. Em vez de observar apenas a representação de outra pessoa, o visitante passa a integrar a própria experiência artística.
Série “Morfemas” transforma fios de cabelo em desenhos
A mostra também inclui trabalhos da série “Morfemas”, criada durante uma fase intensa do tratamento de Fernanda Leme contra o câncer de mama.
Nas obras, a artista utiliza os próprios fios de cabelo para construir desenhos geométricos que lembram pequenos signos visuais.
As peças dialogam com as demais séries por meio das tramas e das estruturas gráficas. Também ajudam a compreender o desenvolvimento de sua pesquisa, que avançou dos fios e das linhas para as intervenções sobre retratos e, posteriormente, para os recortes das pinturas.
A presença desse conjunto acrescenta uma dimensão pessoal à exposição, conectando corpo, matéria e transformação.
Mesmo diante de experiências difíceis, a produção de Fernanda Leme se caracteriza pelo uso de cores e por composições que preservam a vitalidade.
Arte, identidade e protagonismo feminino
A trajetória de Fernanda Leme reúne arquitetura, pesquisa artística e reflexão filosófica. Nascida no Rio de Janeiro, a artista ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 2009 e participou de exposições em espaços culturais do Rio e de outras cidades brasileiras.
Entre seus trabalhos individuais estão “Em que espelho ficou perdida a minha face”, apresentada em 2019, no Instituto Europeu de Design, no Rio de Janeiro, e “Monstros”, realizada em 2024, com curadoria de Alexandre Sá, na Z42 Arte.
Em sua produção, a artista frequentemente utiliza o autorretrato para discutir identidade e protagonismo feminino, relacionando experiências pessoais a questões coletivas.
Na nova exposição, essas preocupações aparecem associadas à velocidade das imagens, à memória e à consciência de que pessoas, experiências e formas estão em constante transformação.
Quem é Denise Araripe, curadora da exposição?
Artista visual, curadora e mentora de artistas, Denise Araripe desenvolve trabalhos que transitam entre pintura, desenho, escultura e instalação.
Sua produção investiga temas como memória, identidade, originalidade, direitos autorais e construção de narrativas. Com trajetória iniciada na década de 1990, participou de exposições no Brasil e no exterior, e possui obras em coleções públicas e privadas.
Atualmente, atua como curadora das galerias Maria de Lourdes Mendes de Almeida e Pequena Galeria, da Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro.
Na exposição de Fernanda Leme, sua curadoria articula os diferentes conjuntos de obras em torno da impermanência, da reconstrução e das possibilidades de transformação.
Como visitar a exposição gratuita em Ipanema
Quem procura uma exposição gratuita em Ipanema terá a oportunidade de conhecer diferentes fases da produção de Fernanda Leme, incluindo pinturas, retratos e obras que exploram a participação do público.
A mostra será realizada no Centro Cultural Candido Mendes, entre 5 e 28 de novembro de 2026. A abertura está marcada para as 17h do dia 5 de novembro.
Nos demais dias, o espaço funcionará de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados, das 13h às 17h.
A visita oferece uma oportunidade de conhecer pesquisas contemporâneas em pintura e artes visuais, além de acompanhar uma exposição que combina trabalhos inéditos e séries desenvolvidas ao longo de vários anos.
Serviço
- Exposição: Fernanda Leme — Quando aparecer um rio, atravesse-o
- Abertura: 5 de novembro de 2026, às 17h
- Período: de 5 a 28 de novembro de 2026
- Local: Centro Cultural Candido Mendes — Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida
- Endereço: Rua Joana Angélica, 63, Ipanema, Rio de Janeiro
- Horário: segunda a sexta-feira, das 13h às 19h; sábados, das 13h às 17h
- Entrada: gratuita
- Curadoria: Denise Araripe
- Informações: (21) 2267-7295
Perguntas frequentes sobre a exposição
Quando começa a exposição de Fernanda Leme?
A abertura será em 5 de novembro de 2026, às 17h. A visitação seguirá até 28 de novembro.
A entrada é gratuita?
Sim. De acordo com as informações divulgadas para a exposição, a entrada é gratuita.
Onde fica a exposição?
A mostra será realizada na Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida, no Centro Cultural Candido Mendes, na Rua Joana Angélica, 63, em Ipanema, no Rio de Janeiro.
Qual é o horário de visitação?
O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados, das 13h às 17h.
O que o público poderá ver na mostra?
A exposição reúne cerca de 70 obras, incluindo trabalhos inéditos, pinturas fragmentadas, retratos das séries “Estilhaços” e “Cabeças”, além de peças da série “Morfemas”. Quatro espelhos também permitirão que os visitantes participem da experiência artística.
Exposição gratuita em Ipanema convida à reflexão sobre a vida
Ao reunir pinturas, retratos, espelhos e trabalhos que exploram diferentes materiais, “Quando aparecer um rio, atravesse-o” propõe um olhar sobre a maneira como as imagens e as experiências se transformam com o tempo.
A mostra de Fernanda Leme convida o público a refletir sobre identidade, memória e impermanência, relacionando essas questões à experiência cotidiana.
Para quem busca uma exposição gratuita em Ipanema, a mostra é uma oportunidade de conhecer a produção de uma artista carioca e acompanhar uma pesquisa que transforma a própria pintura em ponto de partida para novas imagens.





