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Gabriel Haddad e Leonardo Bora estão no MAM Rio e ArtRio

    Gabriel Haddad e Leonardo Bora

    Os carnavalescos e artistas Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam de uma programação especial neste fim de semana no Rio de Janeiro. No sábado, 19 de setembro de 2026, a dupla estará na exposição “Carnaval como método”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio).

    No dia seguinte, domingo, 20 de setembro, Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam da conversa “Carnaval e arte contemporânea”, durante a ArtRio. Além dos artistas, o encontro terá a participação de Milton Cunha e Leandro Vieira, com mediação de Alicia Cesário.

    Assim, o público poderá acompanhar dois momentos diferentes da trajetória dos artistas. De um lado, haverá a apresentação de obras inéditas no museu. Do outro, haverá uma conversa sobre processos de criação e as relações entre Carnaval e arte contemporânea.

    Fique Atualizado

    Além disso, a dupla também integra uma exposição em São Paulo. A mostra “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro” está em cartaz na Estação Cultural de Olímpia até março de 2027.

    Vencedores do Prêmio PIPA de Arte Contemporânea em 2025, os artistas apresentam no MAM Rio quatro trabalhos inéditos. Para isso, partiram de memórias afetivas, referências artísticas e experiências relacionadas ao universo das escolas de samba.

    Exposição “Carnaval como método” ocupa o MAM Rio

    A exposição “Carnaval como método” propõe levar para o espaço museológico os processos de criação desenvolvidos no Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro.

    Para isso, a mostra reúne obras inéditas comissionadas a seis carnavalescos em atividade. Entre eles estão Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que desenvolvem o projeto da Unidos de Vila Isabel para o Carnaval de 2027.

    O enredo preparado pela dupla é “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, baseado na obra do escritor Itamar Vieira Junior.

    Além dos trabalhos dos carnavalescos em atividade, a exposição apresenta obras de importantes nomes da história do Carnaval. Entre eles estão Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães e Maria Augusta Rodrigues.

    A mostra também reúne pinturas de artistas ligados ao universo do samba e do Carnaval. Nesse grupo estão nomes como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento.

    Dessa maneira, a exposição reúne diferentes gerações e linguagens relacionadas à cultura carnavalesca. Ao mesmo tempo, apresenta ao público processos que normalmente ficam concentrados nos bastidores dos desfiles.

    Curadoria e espaço da exposição

    A exposição ocupa o Salão Monumental e o mezanino do MAM Rio. A curadoria é assinada por Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende.

    Além disso, Debora Moraes e Edu Gonçalves colaboram com o projeto curatorial.

    Nesse contexto, os trabalhos de Gabriel Haddad e Leonardo Bora entram em diálogo com outras obras e referências históricas do Carnaval. Por isso, a participação da dupla também apresenta diferentes possibilidades de pensar os processos de criação das escolas de samba.

    Quatro obras inéditas são apresentadas no MAM Rio

    Para a exposição, Gabriel Haddad e Leonardo Bora desenvolveram quatro trabalhos inéditos.

    As obras foram pensadas a partir de memórias afetivas e referências artísticas originárias do universo das escolas de samba. Além disso, os artistas estabeleceram relações com nomes importantes do Carnaval.

    Entre as referências estão Joãosinho Trinta, Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães e Fernando Pinto.

    Segundo Gabriel Haddad, as obras permitem trabalhar com processos, materiais, cores e imagens relacionados às experiências desses artistas.

    Por sua vez, Leonardo Bora destaca os processos desenvolvidos nos barracões das escolas de samba. Segundo ele, ferramentas, terminologias e tecnologias são constantemente reinventadas nesses espaços.

    Dessa forma, os trabalhos apresentados no MAM Rio não se limitam ao resultado visual. Eles também fazem referência aos métodos, materiais e experiências envolvidos na construção do Carnaval.

    “Avessos” mostra o que fica escondido nos bastidores

    Entre as obras apresentadas está “Avessos”, uma instalação que ocupa uma grande área de parede do Salão Monumental.

    A obra parte da visão dos sacos de fantasias acumulados nos ateliês e nas áreas de concentração e dispersão dos desfiles. Além disso, remete ao processo de ensacar alegorias para o transporte entre o barracão e a avenida.

    Esse percurso pode provocar danos às alegorias. Por isso, os sacos também representam uma etapa menos visível da construção dos desfiles.

    A lona plástica preta utilizada na obra estabelece ainda uma relação com carnavais assinados por Joãosinho Trinta.

    O material foi utilizado pelo carnavalesco em 1989, na Beija-Flor de Nilópolis, e em 1997, na Unidos do Viradouro.

    No primeiro caso, a lona ficou associada ao Cristo Redentor mendigo que desfilou coberto durante o Carnaval de 1989. Já em 1997, Joãosinho Trinta utilizou sacos pretos no carro abre-alas da Unidos do Viradouro.

    Instalação utiliza resíduos de outros carnavais

    No MAM Rio, 120 sacos são preenchidos com resíduos de processos carnavalescos. Entre os materiais utilizados estão sobras de fantasias, adereços e esculturas de outros carnavais.

    Alguns sacos se rompem e deixam escapar brilhos e cores pelo espaço do museu. Assim, o que normalmente ficaria escondido passa a fazer parte da própria obra.

    Dessa forma, “Avessos” cria um contraste entre o que o público vê durante o desfile e aquilo que permanece nos bastidores.

    Ao mesmo tempo, a instalação aproxima conceitos como lixo, luxo, criação e segredo.

    “Qualquer lugar” utiliza resíduos eletrônicos e materiais têxteis

    Outra obra inédita apresentada pela dupla é “Qualquer lugar”.

    A escultura giratória foi confeccionada com resíduos eletrônicos e materiais têxteis. Nesse sentido, o trabalho estabelece uma relação com questões presentes no mundo contemporâneo.

    Segundo Leonardo Bora, os enredos e as provocações visuais de Fernando Pinto continuam dialogando com o presente.

    Além disso, a obra aborda uma realidade marcada pela hiperconectividade, pela tecnologia e pela busca de novas fronteiras.

    Por isso, materiais descartados e elementos tecnológicos passam a integrar uma produção artística ligada ao universo do Carnaval.

    “Orbes” relaciona tecnologia e transformação

    O móbile “Orbes” tem como referência o uso da fibra cristal aparente em desfiles de Maria Augusta Rodrigues.

    Esse recurso foi utilizado pela carnavalesca entre as décadas de 1970 e 1990. Posteriormente, a tecnologia ganhou nova projeção com a utilização de recursos de iluminação cênica na avenida.

    Assim, a obra aproxima diferentes momentos de inovação tecnológica no Carnaval.

    Além disso, o movimento do móbile reforça a ideia de renovação. Ao girar continuamente, a obra cria uma relação visual com processos que estão sempre se transformando.

    “Devir – Devorar” combina desenho, escultura e videoarte

    A quarta obra é “Devir – Devorar”, que combina desenho, escultura e videoarte.

    O trabalho evoca a ideia de devoração antropofágica presente na produção de Rosa Magalhães. Para desenvolver a peça, Gabriel Haddad e Leonardo Bora trabalharam em parceria com a escultora Marina Vergara.

    A artista colabora com a dupla desde 2019.

    O resultado é uma onça alada produzida com uma técnica de papietagem observada nos barracões das escolas de samba. Além disso, a obra utiliza cola de farinha de trigo, uma receita tradicional pouco utilizada atualmente.

    Os papéis recortados utilizados na peça fazem referência a desenhos de Rosa Magalhães que integram o acervo da Rede Sirius, da UERJ.

    Por fim, o processo de criação foi registrado em vídeo. A montagem é assinada por Douglas Soares, cineasta que também desenvolve trabalhos relacionados ao universo das escolas de samba.

    Conversa na ArtRio aborda Carnaval e arte contemporânea

    Depois da abertura da exposição no MAM Rio, Gabriel Haddad e Leonardo Bora participam de outro encontro com o público.

    A conversa “Carnaval e arte contemporânea” acontece no domingo, 20 de setembro de 2026, às 16h, durante a ArtRio.

    Além da dupla, participam Milton Cunha e Leandro Vieira. A mediação será feita por Alicia Cesário.

    Durante o encontro, os participantes vão falar sobre seus processos de trabalho. Também vão abordar as relações entre a produção artística contemporânea e o Carnaval.

    Nesse sentido, a conversa amplia o debate sobre as escolas de samba e seus processos de criação.

    Para Leonardo Bora, os desfiles são resultado de mais de um século de experimentações artísticas realizadas nas ruas do Rio de Janeiro.

    Além disso, o artista destaca a troca de saberes e experiências entre diferentes círculos culturais. Ao mesmo tempo, ressalta a relação entre tradição e modernidade.

    Exposição em Olímpia reúne trabalhos da dupla

    A programação de Gabriel Haddad e Leonardo Bora também está presente em São Paulo.

    A dupla participa da exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”, na Estação Cultural de Olímpia (ECO).

    A mostra permanece em cartaz até 31 de março de 2027. A visitação acontece diariamente, das 9h às 21h, com entrada gratuita.

    Ao todo, são seis trabalhos de Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A seleção reúne desenhos originais e projetos de fantasias e alegorias produzidos a partir de 2020.

    Trabalhos de diferentes carnavais estão na mostra

    Entre os destaques estão os desenhos das fantasias do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e da bateria do Carnaval de 2026 da Unidos de Vila Isabel.

    Além disso, a exposição apresenta o projeto alegórico da Comissão de Frente e da quinta alegoria do desfile de 2022 da Acadêmicos do Grande Rio.

    Naquele ano, a escola conquistou o campeonato do Grupo Especial com um enredo sobre Exu.

    Também está em exposição uma fotografia da fantasia “Bate-bolas”, integrante do mesmo desfile da Grande Rio.

    Assim, a mostra reúne diferentes registros da produção da dupla e apresenta ao público trabalhos desenvolvidos em momentos distintos de sua trajetória.

    Curadoria da exposição

    A curadoria é assinada por Dil Fonseca, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em cultura popular.

    Além dele, participa da curadoria Cota Azevedo, artista visual e jornalista comunicóloga.

    Dessa forma, a exposição apresenta desenhos, projetos e registros relacionados ao trabalho dos dois artistas.

    Quem são Gabriel Haddad e Leonardo Bora?

    Gabriel Haddad e Leonardo Bora são multiartistas e professores brasileiros. As escolas de samba ocupam um papel central em suas linguagens e processos criativos.

    Como carnavalescos, a dupla já desenvolveu narrativas escritas e visuais para diferentes agremiações.

    Entre elas estão Mocidade Unida do Santa Marta, Acadêmicos do Sossego, Acadêmicos do Cubango, Acadêmicos do Grande Rio e Unidos de Vila Isabel.

    Trabalho com a Acadêmicos do Grande Rio

    Um dos projetos de maior destaque aconteceu no Carnaval de 2022 da Acadêmicos do Grande Rio.

    Naquele ano, a escola apresentou o enredo “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”. Como resultado, conquistou o campeonato do Grupo Especial.

    Em 2026, Gabriel Haddad e Leonardo Bora desenvolveram novamente um projeto para a Unidos de Vila Isabel.

    Dessa vez, o desfile apresentou a vida e a obra de Heitor dos Prazeres. Ao final da apuração, a escola terminou na terceira colocação.

    Atuação em diferentes áreas

    Além dos desfiles, Gabriel Haddad e Leonardo Bora já apresentaram trabalhos em diversas instituições culturais.

    Entre elas estão o Museu de Arte do Rio, CCBB-RJ, Paço Imperial, Pinacoteca de São Paulo, Grand Palais, em Paris, Centre National du Costume, em Moulins, Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea, SESC Pinheiros, Museu do Samba, MUHCAB e Casa Brasil.

    A dupla também trabalhou como figurinista do programa “The Masked Singer Brasil”, da Rede Globo, nas temporadas 3 e 4.

    Além disso, participou como cenógrafa do projeto “Marazul”, realizado em Niterói nos anos de 2022, 2023 e 2024.

    Entre as instalações produzidas estão “Roda-Gira”, apresentada no CCBB-RJ durante a exposição “Heitor dos Prazeres é Meu Nome”, e “Vermelho-Mangue”, parte da exposição “Manguezal”, também no CCBB-RJ.

    Prêmio PIPA e novos projetos

    Em 2025, Gabriel Haddad e Leonardo Bora venceram o Prêmio PIPA de Arte Contemporânea.

    No mesmo ano, partes do desfile da dupla foram apresentadas no Grand Palais, em Paris.

    Agora, os artistas trabalham novamente no projeto da Unidos de Vila Isabel para o Carnaval de 2027.

    O enredo será “Torto arado – sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, baseado na obra de Itamar Vieira Junior.

    Serviço

    Exposição “Carnaval como método”

    Abertura: 19 de setembro de 2026
    Encerramento: 21 de fevereiro de 2027

    Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio)

    Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro/RJ

    Horário: quartas, quintas, sextas, sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

    Aos domingos, das 10h às 11h, a visitação é exclusiva para pessoas com deficiência intelectual.

    Entrada: gratuita para todos os públicos.

    Telefone: (21) 3883-5600

    Ingressos: disponíveis no site oficial do MAM Rio.

    Conversa “Carnaval e arte contemporânea”

    Data: 20 de setembro de 2026
    Horário: 16h

    Local: Marina da Glória

    Endereço: Av. Infante Dom Henrique, s/n – Glória – Rio de Janeiro/RJ

    Exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”

    Período: até 31 de março de 2027

    Local: Estação Cultural de Olímpia (ECO) – Galerias 1 e 3

    Endereço: Rua Cel. José Medeiros, 477 – Patrimônio de São João Batista – Olímpia/SP

    Horário: diariamente, das 9h às 21h

    Entrada: gratuita.

    Perguntas frequentes

    Quando começa a exposição “Carnaval como método”?

    A exposição começa em 19 de setembro de 2026. Além disso, a mostra permanece em cartaz até 21 de fevereiro de 2027.

    A entrada no MAM Rio é gratuita?

    Sim. De acordo com as informações fornecidas, a entrada na exposição é gratuita para todos os públicos.

    Quando acontece a conversa na ArtRio?

    A conversa “Carnaval e arte contemporânea” acontece no domingo, 20 de setembro de 2026, às 16h.

    Quem participa da conversa na ArtRio?

    Participam Gabriel Haddad, Leonardo Bora, Milton Cunha e Leandro Vieira. Além disso, Alicia Cesário será responsável pela mediação.

    Onde ver outros trabalhos de Gabriel Haddad e Leonardo Bora?

    Além do MAM Rio, os artistas participam da exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”, na Estação Cultural de Olímpia, em São Paulo.

    Até quando a exposição em Olímpia fica aberta?

    A mostra permanece em cartaz até 31 de março de 2027. A visitação acontece diariamente, das 9h às 21h.

    Além disso, a entrada é gratuita.

    Conclusão

    A programação de Gabriel Haddad e Leonardo Bora reúne exposição, conversa e diferentes registros de suas trajetórias artísticas.

    No MAM Rio, a dupla apresenta quatro obras inéditas na exposição “Carnaval como método”. Além disso, os trabalhos estabelecem diálogos com nomes importantes da história do Carnaval.

    Na ArtRio, por sua vez, os artistas participam de uma conversa sobre Carnaval e arte contemporânea. O encontro amplia o debate sobre os processos de criação das escolas de samba.

    Ao mesmo tempo, o público de São Paulo pode conferir outros trabalhos da dupla na Estação Cultural de Olímpia.

    Assim, durante os próximos meses, diferentes espaços culturais apresentam trabalhos que ajudam a mostrar as relações entre Carnaval, cultura popular e produção artística contemporânea.

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